Resenha - Ratos

domingo, janeiro 20, 2013


Título Original: Rats
Autor: Gordon Reece
Número de páginas: 240
Classificação:
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Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso.
Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou, elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.
Surpreendente. Uma palavra que descreve este livro. Não fazia a menor idéia de que "Ratos" fosse um livro tão envolvente, de tirar o fôlego mesmo. A narrativa é maravilhosa, Gordon Reece descreve os fatos detalhadamente, tornando um simples detalhe em algo extremamente importante para a história. È narrado em primeira pessoa, pela personagem principal, Shelley, garota que acaba de completar 16 anos, insegura, fraca, de baixa auto-estima, ou seja, um rato.

O livro se chama "Ratos" pelo fato de Shelley e sua mãe viverem como ratos, sendo maltratadas a vida toda, como todos os outros ratos que existem, são poucos, pois todos vivem se escondendo dos pesadelos da vida. Shelley sofre bullying na escola, ela é alvo de três garotas que antes eram suas melhores amigas. Por causa dessas meninas, Shelley quase morreu e ainda leva pelo resto da vida cicatrizes no rosto que a fazem lembrar do pior momento de sua vida, ou melhor dizendo, o pior momento, até o chalé afastado da cidade, onde elas vivem, ser invadido por um ladrão. E como no livro mesmo diz "Até mesmo os ratos tem um limite".

O Livro vai muito além do bullying sofrido na escola por Shelley, é um livro triste, muito triste, porém muito cativante. Através dos acontecimentos, vamos percebendo a mudança na personalidade das personagens, não só na de Shelley, como também na da mãe, que faz de tudo para parecer forte e confiante para que a filha não tenha medo e não fique desesperada.

È um livro emocionante, onde o que os personagens fazem é lutar pela sobrevivência, pois eles são fracos demais para reagir a qualquer coisa. Shelley é traumatizada, nunca teve uma vida fácil, seu pai a abandonou, trocando a mãe por sua secretária mais nova, que só esta interessada no dinheiro que ele tem. As únicas amigas dela se afastaram, viraram inimigas e o pior, tornaram sua vida um inferno, colocando até fogo em Shelley. E sua mãe, a única pessoa que ela tem e que ama no mundo também não passa de um simples rato.

Livro emocionante, chocante, cativante, que desperta piedade e receio. Todos os sentimentos em uma única história, vale muito a pena dar uma chance ao livro.

"Quando um gato entra na toca dos ratos, ele não vai embora deixando-os ilesos. Eu sabia como aquela história iria terminar. Ele mataria nós duas."

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